O Smart Grid Fórum 2026 reúne, nos dias 06 e 07 de outubro, no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo (SP), lideranças do setor elétrico, concessionárias, empresas de tecnologia, autoridades, reguladores, especialistas, investidores e representantes de universidades e instituições para discutir a modernização das redes, a digitalização, a abertura do mercado e os novos modelos de negócio em energia.
O painel de abertura discutiu as principais mudanças que estão redesenhando o setor de distribuição de energia elétrica no Brasil. A abertura do mercado de baixa tensão, os novos contratos de concessão, a digitalização das redes, a qualidade dos serviços e a resiliência do sistema foram analisados a partir dos desafios e das oportunidades de uma transição que coloca o consumidor em uma posição cada vez mais ativa. Além do papel das instituições do setor na coordenação dessa transformação.
Da adaptação à transformação há sete frentes em curso: Modelo de carga e MMGD; Módulo 3 do PRODIST; Modalidades de operação; Mapa de conexão de GD; Interface ONS/DSO; Gestão de excedentes e ERAG.
Outro ponto de destaque foram os pilares para abertura total do mercado de forma sustentável, que se baseiam na sustentabilidade do mercado regulado, equilíbrio dos encargos e subsídios, segurança de suprimento para o consumidor e simplificar dessa forma as operações do mercado.
Um dos palestrantes, Carlos Alberto Mattar, superintendente de Regulação dos Serviços de Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica (STD) da ANEEL e diretor do Grupo de Trabalho em Eletricidade da ARIAE – Associação Iberoamericana de entidades reguladoras de energia falou com exclusividade para a Revista Mundo Elétrico sobre como que a ANEEL planeja calibrar os incentivos regulatórios para garantir assim o investimento em SmartGrids pelas distribuidoras acelerem sem sobrecarregar a tarifa do consumidor final.
“É uma inequação difícil de resolver, mas tem as obrigações contratuais com relação aos investimentos e tem os mecanismos de equalização ou diferimento desses investimentos ao longo do tempo, para não impactar fortemente a tarifa. Esse é o mecanismo que temos no momento, é diferir esses investimentos ao longo do tempo, evidentemente que remunerados, mas diferidos para que o impacto seja menor para o consumidor”, explicou Mattar.

Sobre os entraves regulatórios para viabilizar comercialmente a abertura do mercado de baixa tensão e a integração do Open Energy, o executivo disse: “Nosso maior obstáculo é o tempo. Porque temos que abrir para 95 milhões de pessoas,tirando os consumidores que tem GD e os consumidores de baxa renda, o número fica em torno de 70 milhões. A experiência mundial mostra que essa abertura é paulina, os consumidores não migram todos de uma única vez, será algo em torno de 20%. Então os principais desafios são o tempo, a medição e sistemas de comunicação eficientes. Precisamos superar essas três barreiras para atender a determinação do decreto na data estabelecida”, concluiu.





