A escolha do material elétrico correto — de dispositivos de proteção como DR e DPS a disjuntores e cabos dimensionados para cada carga — é um dos principais fatores de segurança das instalações residenciais. Com mais equipamentos de alta potência, automação e recarga de veículos elétricos nas casas brasileiras, a especificação técnica dos componentes e a atuação do eletricista qualificado ganham ainda mais peso. Em outubro, mês dedicado à celebração da profissão, o cenário reforça que o trabalho do eletricista nunca foi tão técnico e indispensável.
O material elétrico certo é a primeira barreira de segurança
Os números mostram por que a escolha dos componentes importa. Segundo o Anuário Estatístico de Acidentes de Origem Elétrica da Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel), o Brasil registrou 917 acidentes por choque elétrico e 646 mortes em 2025. A ABNT NBR 5410, norma de instalações elétricas de baixa tensão, exige o dispositivo diferencial residual (DR), com sensibilidade de até 30 mA, em circuitos de áreas como banheiros, cozinhas, áreas externas e garagens, justamente para dessa forma proteger as pessoas contra choques.
Outro componente essencial é o dispositivo de proteção contra surtos (DPS), que protege equipamentos eletrônicos, como os de automação residencial, contra sobretensões. DR e DPS atuam sobre fenômenos distintos — o primeiro protege pessoas; o segundo, equipamentos — e a NBR 5410 trata cada um de forma independente. Disjuntores com capacidade compatível e cabos com bitola adequada completam o conjunto, evitando sobrecarga e aquecimento em circuitos que hoje alimentam vários equipamentos de alta potência ao mesmo tempo.
“O eletricista de hoje não é mais chamado só para resolver um curto-circuito. Ele analisa junto com o cliente, quais dispositivos de proteção, cabos e disjuntores a instalação precisa para suportar a carga de vários equipamentos funcionando ao mesmo tempo”, afirma Fellipe Ramon, Engenheiro eletricista e Supervisor de Ensino do CCT da Loja Elétrica. “Material elétrico de qualidade, bem dimensionado, é parte da segurança. É uma evolução natural da profissão, e o profissional que se atualiza tecnicamente está conquistando um espaço que antes não existia no mercado.”
Do reparo ao serviço consultivo
Essa exigência tem reflexos diretos no dia a dia do profissional. A lista de materiais e ferramentas que um eletricista utiliza hoje é mais extensa e técnica: instrumentos de medição de maior precisão, cabos com especificações diferenciadas, DR e DPS adequados a cada circuito, disjuntores com curva e capacidade compatíveis com a carga e quadros de distribuição dimensionados para receber novos circuitos são alguns dos itens que passaram portanto a fazer parte da rotina.
Além do domínio técnico, normas em constante atualização (como a ABNT NBR IEC 61851, que trata da infraestrutura de recarga para veículos elétricos) ampliam o escopo de atuação do eletricista residencial para um papel cada vez mais consultivo.
“Na Loja Elétrica, enxergamos essa mudança de perto. O perfil de compra do profissional mudou: ele pesquisa especificações, compara funcionalidade entre equipamentos, avalia a compatibilidade, assim como busca orientação técnica antes de fechar um projeto. O eletricista se profissionalizou junto com a demanda, e nosso papel é ser parceiro dele nessa evolução — com os materiais certos e a informação técnica que faz diferença na execução”, complementa Fellipe Ramon.
Para o consumidor, a orientação é direta: ao reformar ou ampliar a instalação elétrica ou adotar um novo equipamento, o primeiro passo deve ser consultar um eletricista qualificado e exigir materiais elétricos adequados a cada circuito.





