Este ano, a 18ª edição do Fórum Latino-Americano de Smart Grid ocorre em um momento particularmente relevante. O evento está marcado para os dias 6 e 7 de outubro, pouco mais de um ano antes da abertura do mercado de eletricidade para consumidores comerciais e industriais de baixa tensão. “Este é apenas um dos “tsunamis” em curso no setor elétrico, que hoje caminha para estruturas mais digitalizadas, descentralizadas, interoperáveis e orientadas ao usuário”, afirma Cyro Boccuzzi, especialista do setor e presidente do Fórum.
Mas não é só isso. O setor agora deverá dar conta das novas exigências previstas nas concessões prorrogadas recém-assinadas, com regras mais duras e complexas do ponto de vista da qualidade de serviço, satisfação de cliente e resiliência das operações, principalmente para garantir maior robustez e agilidade de normalização frente aos fenômenos climáticos, cada vez mais intensos e frequentes.
GD e consultas públicas
A cadeia da energia elétrica também demanda por um sistema eficiente de gestão para o crescente movimento de unidades de geração distribuídas e autônomas em residências e outros imóveis, que, em 2025, atingiu o índice de 7% do total de energia elétrica gerada no país, assim como a esperada adoção em massa de sistemas de armazenamento de energia (BESS) que contribuam para minimizar a intermitência das fontes renováveis.
É nesse cenário, cuja regulação mal acompanha tantas transformações e inovações, que líderes empresariais, bem como especialistas nacionais e internacionais, estarão reunidos no 18º. Fórum Latino-Americano de Smart Grid para discutir os rumos desta indústria, cujas trilhas se confundem com o do desenvolvimento econômico nacional.
“Só para se ter uma ideia do que está em curso, as pressões por investimentos poderão chegar a mais de R$ 670 bilhões (US$ 131 bilhões) até 2040, sendo R$ 553 bilhões em geração e R$ 117 bilhões em transmissão, estimou a Aurora Energy Research”, comenta Boccuzzi. O organizador do Fórum, que também é consultor, engenheiro e CEO da ECOee (Engenharia Energética) descreve o momento do setor elétrico sem rodeios: “ele está trocando o motor do avião em pleno voo”.
Segundo Boccuzzi, são diversas as frentes de transformação dos segmentos de geração, transmissão e distribuição. O consultor lembra que, até outubro deste ano, a infraestrutura elétrica do país será alvo das consultas públicas 227, 228 e 229, as quais tratam desde questões como a Taxa de Fiscalização dos Serviços de Energia Elétrica (TFSEE), a revisão de decretos de comercialização, as alterações no cálculo do Preço de Liquidação das Diferenças, ao aprimoramento das regras de contratação de reserva de capacidade.
Espaço de discussão e atualização
“Qualquer um desses tópicos já traria, por si só, impactos profundos, mas todos estão acontecendo simultaneamente. E o Fórum é um espaço ideal para que as lideranças do setor se encontrem, troquem suas impressões e conheçam as experiências bem-sucedidas registradas no Brasil e em países como Índia, México, Uruguai, Canadá, Suíça, Reino Unido, e Estados Unidos”, comenta.
Boccuzzi ainda ressalta uma pergunta que norteará os debates da 18ª edição do evento. “Já que a régua exigida pela autoridade do setor elétrico ficou mais alta com a renovação das concessões, exigindo novos investimentos dos players – como será financiada essa mudança, já que a tarifa ao consumidor não tem mais espaço para crescer?”, questiona ele.
Alguns nomes de participantes já confirmados:
- Alessandra Amaral, diretora-executiva, Associação Latino-Americana de Distribuidores de Energia Elétrica (Adelat/Peru)
- Alexandre Vidal, sócio de Infraestrutura e Mercados Regulados (EY)
- Alison Chagas, superintendente de Engenharia e Planejamento e William Souza, superintendente de Operação (CEMIG)
- Carlos Alberto Calixto Mattar, superintendente de Regulação da Transmissão e Distribuição, Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL)
- Fabio Lima, diretor executivo, Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (ABSAE)
- Flavia Lis Pederneiras, gerente de Regulação e Tarifas de Geração, Transmissão e Encargos Setoriais, Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL)
- Francisco Ramirez, especialista sênior de Finanças Sustentáveis (Base Foundation/Suíça)
- Gerusa Côrtes, diretora de Operação de Mercado, Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE)
- Lindemberg Nunes Reis, gerente de Planejamento e Inteligência de Mercado, Associação Brasileira de Distribuidoras de Energia Elétrica (ABRADEE)
- Luiz Henrique Ferreira Pinto, vice-presidente de Operações Reguladas (CPFL)
- Marcos Campos, diretor-geral (EDP Espírito Santo)
- Mario Menel, presidente, Fórum das Associações do Setor Elétrico (FASE)
- Phil Beecher, CEO e president, WiSun Alliance (Reino Unido)
- Sebastian Novoa, gerente geral (EVOL) e presidente (AICE/ Chile)
- Sumara Ticom, assessora da diretoria de Planejamento, Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS)
- Thiago Ivanosky, diretor de Estudos Econômico-Energéticos e Ambientais, Empresa de Pesquisa Energética (EPE)
- Vinícius Oliveira Caram Guimarães, superintendente de Outorga e Recursos à Prestação, Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel)
Representantes de diversas empresas e entidades setoriais do Brasil e internacionais também participarão dos 8 painéis que se estenderão das 8h45 até o final da tarde nos dois dias de trabalhos.
Os painéis tratarão dos seguintes temas:
- O setor em transição: concessões renovadas, redes digitais, mercado competitivo e consumidor no centro
- A nova interface com o consumidor: medição e tarifas inteligentes, dados e novos serviços
- Mercado aberto na baixa tensão, Open Energy e novos agentes digitais
- Flexibilidade como infraestrutura: armazenamento, baterias, resposta da demanda, usinas virtuais de energia (VPPs) e curtailment
- Inteligência operacional da distribuição: IA (inteligência artificial), ADMS (plataformas que integram e gerenciam a operação da rede de distribuição, incluindo monitoramento, controle e restauração do fornecimento, DERMS (sistemas que coordenam recursos distribuídos, como geração solar, baterias, veículos elétricos e resposta da demanda), DSO (operador da gestão da rede de distribuição, com papel crescente na integração de recursos distribuídos e na flexibilidade do sistema), bem como dados, telecom e cibersegurança
- Robustez, qualidade e resiliência: redes preparadas para eventos extremos
- Como financiar a transformação digital da rede? Regulação, TOTEX, incentivos e financiamento
- Decisões para a distribuição chegar a 2030 – a visão dos líderes do setor
18º Fórum Latino-Americano de Smart Grid
Data: 6 e 7 de outubro de 2026
Local: Centro de Convenções Frei Caneca (rua Frei Caneca, 569 – 6º andar, São Paulo/SP)
Programação: acesse este link
Site: www.smartgrid.com.br





