A transição energética não depende apenas de investimentos em infraestrutura, novas tecnologias e fontes renováveis. Ela também exige profissionais capazes de compreender um mercado em rápida transformação, no qual inovação, regulação, sustentabilidade e análise de dados caminham lado a lado. Atento a esse cenário, o Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec) vem fortalecendo uma estratégia voltada à formação de especialistas e ao desenvolvimento de pesquisas aplicadas para atender assim às necessidades de um dos segmentos mais dinâmicos da economia.
Para o reitor do Ibmec-RJ, Samuel Barros, a evolução do mercado alterou o perfil da qualificação procurada pelos profissionais do setor. Em 2025, a instituição lançou, em parceria com o Energy Summit, o MBA em Energytech e Transição Energética Sustentável. O programa, no entanto, deu lugar a uma nova proposta de formação.
“O MBA de Energytech deixou de ser ofertado e hoje disponibilizamos programas de curta duração. Isso aconteceu por conta de uma demanda do mercado. Os executivos desse segmento estão buscando formações rápidas, claras e objetivas para resolver dessa forma problemas específicos dos diferentes tipos de energia. O profissional já é generalista; agora ele busca portanto especializações”, explica Barros.
A mudança acompanha um movimento observado em diversos setores da economia, nos quais a atualização constante passou a ser tão importante quanto a formação tradicional. Em vez de cursos longos, cresce dessa forma a procura por capacitações focadas em desafios específicos, como mercado livre de energia, inteligência artificial aplicada, regulação, novas matrizes energéticas e gestão da transição energética.
Pesquisa aplicada
Além da formação executiva, o Ibmec fortalece sua atuação por meio do Centro de Estudos Aplicados (CEAP), responsável por reunir projetos de pesquisa desenvolvidos em diferentes áreas do conhecimento.
Dentro dessa estrutura funciona o Núcleo Estratégico de Pesquisa e Inovação (NEPI), dedicado ao desenvolvimento de estudos sobre energia, petróleo e gás, mercado energético e inovação tecnológica.
“O CEAP é um ancorador de projetos e programas de pesquisa do Ibmec em nível nacional. Nele temos iniciativas de diversas áreas, inclusive as atividades do NEPI, focado em energia e mercado de petróleo e gás”, destaca o reitor.
A proposta é aproximar a produção acadêmica das demandas reais do mercado, produzindo conhecimento capaz de apoiar empresas, investidores e formuladores de políticas públicas.
No campo da pesquisa e da formação, a instituto procura analisar o sistema energético de maneira integrada, evitando concentrar seus estudos em apenas uma tecnologia ou fonte de geração.
“Nós analisamos as matrizes de energia e suas aplicações no mercado interno e externo. Não ficamos exclusivamente avaliando uma ou outra matriz e seus impactos. Fazemos uma avaliação mais ampla para entender o que funciona melhor no Brasil, considerando a diversidade das fontes de geração e como isso beneficia a sociedade”, afirma Barros.
Essa abordagem inclui o acompanhamento constante das decisões dos órgãos reguladores e das mudanças do mercado.”Gostamos também de acompanhar o órgão regulador e pensar em possíveis caminhos para o mercado e suas demandas para o futuro”, acrescenta.
Entre os temas estudados estão os impactos do chamado curtailment — quando usinas solares e eólicas precisam reduzir sua geração por limitações do sistema elétrico — e seus efeitos financeiros sobre investidores e empreendimentos. As análises envolvem alternativas como a expansão das linhas de transmissão, a hibridização de parques geradores, assim como o aperfeiçoamento da regulação do setor.
Inteligência artificial e regulação
A digitalização da economia também transformou o perfil do profissional da área de energia. O uso intensivo de dados, algoritmos de Inteligência Artificial, modelos de linguagem (LLMs) e ferramentas de análise tornou-se parte da rotina de empresas de geração, transmissão, distribuição e comercialização.
Na opinião de Barros, preparar profissionais para essa nova realidade é indispensável.”O uso de dados de maneira intensiva é uma realidade em praticamente todos os setores da economia, e na energia não seria diferente. Nossa proposta é trabalhar com os alunos como utilizar dados, o apoio de LLMs e algoritmos de IA para tomar melhores decisões, com impacto econômico e financeiro e sempre de maneira sustentável.”
A utilização dessas tecnologias permite otimizar operações, melhorar previsões de geração e consumo, apoiar decisões estratégicas e criar modelos de negócios voltados à descentralização da produção de energia.
Outro eixo importante da formação oferecida pela instituição é o ambiente regulatório, considerado um dos fatores mais complexos do setor elétrico brasileiro.

As discussões incluem o funcionamento do modelo institucional, a evolução do Mercado Livre de Energia, segurança jurídica, comercialização e os impactos das constantes mudanças regulatórias sobre empresas e investidores.
“As discussões sobre marco regulatório, mudanças de interpretação e insegurança jurídica são constantes no setor de energia. O profissional que busca um bom posicionamento não pode se dar ao luxo de ser míope nesse ponto. Estar atualizado potencializa portanto os negócios e melhora as entregas dos profissionais do setor”, observa Samuel Barros.
Complementaridade energética
A expansão das energias renováveis, da eólica offshore, do hidrogênio verde, do aproveitamento energético de resíduos e de outras tecnologias emergentes também integra as discussões promovidas pelo Ibmec.
Para o reitor, entretanto, o futuro não passa pela substituição de uma fonte por outra, mas pela complementaridade entre diferentes matrizes.
“Acreditamos que a discussão deve ser de complementação energética. Há espaço para todos os modelos de geração, e isso é positivo porque evita concentração e reduz riscos para o setor mais relevante do próximo século. Todos precisamos — e precisaremos ainda mais — de energia para viver bem, produzir e crescer.”
Samuel Barros verifica que o avanço da transformação digital amplia ainda mais essa necessidade.”Sem energia não existe Inteligência Artificial. Sem energia não existe produção nem crescimento. Pensar e trabalhar todas as formas, matrizes e modelos, consolidados ou emergentes, é essencial para construirmos um futuro próspero”, comenta.
Ao integrar pesquisa aplicada, atualização executiva e uma visão multidisciplinar sobre inovação, sustentabilidade e regulação, o Ibmec busca assim formar profissionais preparados para enfrentar os desafios de um setor estratégico para o desenvolvimento econômico do País e para a consolidação da transição energética brasileira.




