Inteligência artificial exige mudança cultural e novos modelos de negócio no setor elétrico
Fernanda Granato e Marcos Madureira durante debate sobre IA

Inteligência artificial exige mudança cultural e novos modelos de negócio no setor elétrico

A inteligência artificial (IA) está transformando não apenas os processos operacionais e os modelos de negócio, mas também a estrutura das organizações, a gestão do conhecimento e o relacionamento com os consumidores. Esse foi um dos principais pontos do debate, que destacou a necessidade de o setor elétrico ir além da adoção de equipamentos e softwares e incorporar a tecnologia à estratégia de negócios.

Um dos aspectos abordados foi a democratização do conhecimento dentro das empresas. Em modelos tradicionais, o conhecimento costuma ficar concentrado em especialistas e áreas específicas. Com a IA, a tendência é ampliar o acesso à informação e permitir que diferentes equipes utilizem esse conhecimento para tomar decisões, automatizar tarefas e melhorar a produtividade.

Nesse contexto, Fernanda Granato, cofundadora da Logoon e diretora da FUMSOFT e Marcos Madureira, executivo do Setor de Energia, alertaram para o risco de enxergar a inteligência artificial apenas como ferramenta de redução de custos ou substituição de profissionais. A tecnologia também pode potencializar competências existentes, aproveitar o conhecimento acumulado pelas organizações, aprimorar produtos e serviços e criar novas oportunidades de negócio.

Da automação à transformação dos negócios

Embora a análise preditiva e o processamento de dados já façam parte da evolução tecnológica há décadas, a IA generativa amplia as possibilidades de aplicação, inclusive em atividades administrativas. Ferramentas capazes de executar tarefas a partir de comandos em linguagem natural podem simplificar fluxos de trabalho, automatizar processos e reduzir o tempo dedicado a atividades repetitivas.

No setor elétrico, entretanto, a adoção dessas soluções ainda enfrenta desafios relacionados à regulação, à cultura organizacional e à dificuldade de reconhecer a tecnologia como parte central da estratégia empresarial. Para os debatedores, as empresas precisam avaliar não apenas como a IA pode tornar os processos atuais mais eficientes, mas também quais atividades, produtos e modelos de negócio poderão surgir a partir dela.

A velocidade dessa transformação é outro fator determinante. A experiência da digitalização dos serviços bancários foi citada como exemplo de mudança de comportamento que, em poucos anos, tornou o uso de aplicativos e pagamentos instantâneos parte da rotina dos consumidores. Na avaliação apresentada, a inteligência artificial poderá provocar mudanças ainda mais rápidas, exigindo uma preparação antecipada das empresas.

Novo relacionamento com o consumidor

Uma das transformações mais relevantes para as distribuidoras será a evolução da interação com os clientes. Com a disseminação de agentes pessoais de inteligência artificial, os consumidores poderão delegar tarefas como pesquisar serviços, comparar ofertas, realizar compras e cancelar assinaturas.

Esse cenário levanta uma nova questão para as concessionárias: como se relacionar com consumidores que poderão ser representados por sistemas automatizados capazes de comparar preços, avaliar condições e executar decisões em seu nome?

A mudança exige repensar canais de atendimento, estratégias comerciais e formas de disponibilizar informações. As empresas precisarão portanto estar preparadas para interagir tanto diretamente com os clientes quanto com seus agentes digitais, oferecendo dados confiáveis, serviços acessíveis e respostas rápidas.

O debate concluiu que a inteligência artificial promove uma transformação estrutural, capaz de modificar toda a cadeia de valor, da gestão interna ao relacionamento com o consumidor. Para o setor elétrico, o desafio é combinar tecnologia, conhecimento organizacional e adaptação regulatória para transformar essa evolução em ganhos de produtividade, inovação e competitividade.

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