Durante quatro dias intensos de debates e apresentações no Expo Center Norte, em São Paulo, o SIMPOLED 2026 (Simpósio Internacional de Iluminação), realizado pela ABILUX durante a Expolux, deixou uma mensagem clara para o mercado de automação, engenharia e gestão de ativos imobiliários: a iluminação dos edifícios definitivamente deixou de ser um mero item passivo da planta elétrica ou uma decisão exclusivamente estética.
Realizado pela Associação Brasileira da Indústria da Iluminação (ABILUX), entre 15 e 18 de setembro, durante a Expolux, em São Paulo, o Simpósio Internacional de Iluminação teve curadoria do engenheiro José Roberto Muratori. Ao longo dos quatro dias, as discussões aproximaram arquitetura, engenharia, automação e operação, com implicações diretas para projetistas, integradores, facility managers e gestores de ativos imobiliários.
O SIMPOLED 2026 consolidou uma mudança de perspectiva: a iluminação passou a ocupar um lugar estratégico na infraestrutura digital, na qualidade ambiental e na sustentabilidade dos edifícios. Sua avaliação ganhou novas dimensões, conectando o desempenho dos equipamentos à experiência dos ocupantes e à capacidade de gerir os espaços com informações confiáveis.
O balanço do encontro pode ser traduzido em uma mudança no critério de decisão: o investimento em iluminação precisa ser julgado pelo desempenho entregue ao longo do tempo. Isso envolve consumo, conforto, confiabilidade, manutenção e capacidade de adaptação do edifício.
Conforto, saúde e experiência humana: o resgate do bem-estar
A programação de abertura do SIMPOLED 2026 trouxe como tema central a relação entre a luz, o bem-estar e a experiência do usuário nos ambientes construídos.
Especialistas como Juliana Iwashita, Flávio Berman e Marcos Castilha reforçaram que um edifício pode apresentar excelente eficiência energética e, ainda assim, falhar na entrega de condições adequadas de visão e conforto. No ambiente corporativo, Eduardo Straub e Wilson Sallouti exploraram o papel da iluminação integrativa e circadiana.
A pauta de saúde ganhou profundidade nos debates mediados por Jader Almeida e nas contribuições de Fernando Bottene e Aurea Vendramin. Eles apresentaram a luz como infraestrutura invisível de saúde. O impacto da iluminação dinâmica vai além do conforto visual: interfere no ciclo circadiano, na produtividade e até na percepção da passagem do tempo pelos ocupantes. Como pontuado durante as sessões, no futuro breve a questão não será se devemos projetar considerando o tempo e o bem-estar, mas sim o porquê de termos demorado tanto para adotar esses critérios.
Em ativos de alto padrão, como os setores de hotelaria e escritórios corporativos premium, essas diretrizes são indispensáveis para o alinhamento às certificações internacionais (LEED e WELL) e para a valorização patrimonial dos edifícios.
Rigor técnico, regulação e custo total de propriedade (TCO)
O segundo dia do simpósio direcionou o foco para os desafios de engenharia, especificação e regulação. Roberto Mendonça detalhou os impactos da Portaria Inmetro nº 231/2026. Ele ressaltou que a conformidade técnica e a documentação dos produtos são pilares de segurança jurídica e operacional na contratação de projetos.
Outro ponto crítico abordado por Norbert Arthur foi a assimetria entre produtos visualmente semelhantes, mas com desempenhos drasticamente opostos. A avaliação de equivalência técnica não pode ser pautada pelo preço inicial ou por amostragem superficial. Ela exige análise de dados fotométricos, estabilidade de cor, dissipação térmica e confiabilidade dos componentes.
Para os facility managers e gestores de manutenção, a especificação criteriosa é o único caminho para evitar que economias de CapEx se convertam em passivos operacionais no OpEx. O resultado pode ser trocas prematuras e falhas em sistemas de controle.
Da luminária ao dado: IoT, automação e inteligência artificial

A virada de chave tecnológica do SIMPOLED 2026 esteve concentrada na integração entre iluminação, automação predial e inteligência artificial.
Em sua apresentação, Bruno Medina destacou o conceito “Da luminária ao dado”. Ele posicionou cada ponto de luz como um nó de comunicação capaz de mapear presença, ocupação e uso do espaço. Dalvan Ribeiro demonstrou como o protocolo DALI proporciona confiabilidade na telegestão e na dimerização. Já David Girelli abordou o equilíbrio entre a luz natural e artificial por meio de cortinas e sombreamento automatizados.
A preservação do conceito arquitetônico por meio de comandos integrados foi exemplificada por Virgínia Rodrigues. Ela mostrou que a tecnologia deve servir à usabilidade e à intenção original do projeto sem criar interfaces complexas.
No encerramento da pauta de tecnologia, o painel “Iluminação Inteligente” — reunindo José Roberto Muratori, Virgínia Rodrigues, David Girelli e Cesar Ribeiro — debateu a aplicação da inteligência artificial na otimização predial. O uso de IA permite transformar volumes de dados operacionais em decisões preditivas. Ela ajusta dinamicamente o funcionamento do Building Management System (BMS) e antecipa manutenções. Além de otimizar rotinas de consumo conforme os hábitos reais dos ocupantes, tudo isso preservando o conforto e a experiência do usuário.
Escala urbana e sustentabilidade de longo prazo
A agenda do último dia expandiu as reflexões para a escala das cidades e das aplicações operacionais específicas. Moisés Silva e Luciano Rosito discutiram os avanços da telegestão em infraestruturas públicas e grandes complexos corporativos. Eles ressaltaram o papel do LED conectado como plataforma para soluções mais amplas de Cidades Inteligentes e IoT.
Na sequência, foram as abordagens sobre iluminação para horticultura (Caio Oliveira e Ricardo Dalmolin) e a requalificação de espaços urbanos (Paulo Candura). Eles demonstraram a versatilidade e a responsabilidade das decisões luminotécnicas no espaço produtivo e social.
No encerramento, a discussão sobre iluminação sustentável amarrou três pilares essenciais: eficiência energética, longevidade dos sistemas e qualidade dos ambientes.
E na sua operação?
Como a sua empresa tem avaliado a especificação dos projetos de iluminação? A luz já é tratada como uma infraestrutura de dados e saúde ou continua restrita aos orçamentos de compras elétricas?





