O Rio de Janeiro voltou a ocupar o centro das discussões globais sobre energia, tecnologia e sustentabilidade com a abertura oficial do Energy Summit 2026, realizada nesta terça-feira (23), na Axia Marina da Glória. Considerado um dos mais importantes eventos internacionais voltados à inovação, empreendedorismo e transformação energética, o encontro reúne até o dia 25 de junho especialistas, pesquisadores, investidores, startups, executivos, representantes governamentais e lideranças empresariais de diversos países.

Realizado em parceria com o Massachusetts Instituteof Technology (MIT), o Energy Summit chega à sua terceira edição consolidado como o maior evento do MIT no mundo dedicado aos temas de energia, inovação e sustentabilidade. A expectativa é receber mais de 15 mil participantes, cerca de 300 palestrantes e representantes de aproximadamente 3.300 empresas ao longo dos três dias de programação.
A cerimônia de abertura reuniu no palco o CEO do Energy Summit, Hudson Mendonça; o professor do MIT e especialista em investimentos Deep Tech, Lars Frølund; a superintendente de Comunicação e Sustentabilidade da Light, Giovanna Curty; o diretor de Desenvolvimento Metropolitano Integrado do Instituto Rio Metrópole (IRM), Franquis Dias Nepomuceno; e a diretora de Engenharia, Tecnologia e Inovação da Petrobras, Renata Baruzzi.
Energia, inovação e conexões
Ao abrir oficialmente o evento, Hudson Mendonça destacou que o Energy Summit foi concebido para conectar os principais atores do ecossistema de inovação e acelerar soluções voltadas à transição energética.
Segundo ele, o futuro dependerá cada vez mais da capacidade de integrar diferentes setores, tecnologias e instituições para enfrentar desafios globais ligados à sustentabilidade, eficiência energética e desenvolvimento econômico. “O amanhã não será construído por um único setor, uma única tecnologia ou uma única ideia. O futuro real é fruto da nossa habilidade de conectar ecossistemas”, afirmou.
Mendonça lembrou que o Energy Summit nasceu a partir do programa Regional Entrepreneurship Acceleration Program (REAP), do MIT, com o objetivo de impulsionar a criação de um ambiente de inovação capaz de posicionar a capital carioca como uma referência mundial em energia e sustentabilidade.
Nos últimos anos, segundo o executivo, diversas iniciativas surgiram a partir dessa proposta. Entre elas, programas de capacitação que já formaram mais de 600 empreendedores ligados ao setor energético e à tecnologia. “Comunidade e impacto serão as duas palavras que vão nortear os próximos passos do Energy Summit”, destacou.

Rio aposta em energia e inteligência artificial
Um dos momentos mais marcantes da cerimônia foi a participação do atual prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere. Ele apresentou uma visão estratégica para posicionar a cidade como um dos principais polos mundiais de inteligência artificial e infraestrutura digital.
Ele ressaltou a importância histórica do Rio para o setor energético brasileiro. Lembrou ainda que cerca de 90% da produção nacional de petróleo ocorre em águas profundas ligadas ao estado e que a Petrobras permanece como a empresa mais valiosa da América Latina.
Segundo Cavaliere, o conhecimento acumulado ao longo de décadas na exploração offshore, aliado à presença de universidades, centros de pesquisa, disponibilidade energética, recursos hídricos e conectividade internacional, cria condições únicas para atrair investimentos em inteligência artificial e data centers.
O vice-prefeito citou uma conversa com o CEO da OpenAI, Sam Altman, durante visita ao Rio. Na ocaião, o executivo teria afirmado que as cidades do futuro serão aquelas capazes de concentrar talento, energia, capacidade computacional, água e conectividade. “Isso obriga o mundo a olhar para o Brasil e, obviamente, para o Rio de Janeiro”, observou.
Cavaliere destacou ainda a estratégia municipal Rio AI City, lançada para atrair investimentos ligados à economia digital e transformar a capital fluminense em referência continental para projetos de inteligência artificial.
MIT destaca vocação para liderar o setor energético
Representando o MIT, Lars Frølund relembrou a trajetória do Rio de Janeiro dentro do programa REAP. Ele elogiou a capacidade da cidade de construir um ecossistema baseado em suas vantagens competitivas.
Para o especialista, o principal desafio inicial foi conectar governo, universidades, investidores e grandes corporações em torno de uma visão comum. Segundo ele, o Energy Summit tornou-se justamente o ritual que materializa essa integração.
Frølund ressaltou que o Rio possui características difíceis de serem encontradas em outros polos mundiais. Tem forte tradição industrial, conhecimento técnico, universidades de excelência, capacidade de desenvolver tecnologias complexas e qualidade de vida capaz de atrair talentos internacionais.
Em um dos momentos mais simbólicos de sua fala, o professor sugeriu que o Rio deixe de se comparar ao Vale do Silício. “Não digam que querem ser o Vale do Silício de alguma coisa. Digam que querem ser o Energy Hub do mundo. Essa é a ambição que estou ouvindo aqui”, declarou.

Light anuncia maior plano de investimentos de sua história
A superintendente de Comunicação e Sustentabilidade da Light, Giovanna Curty, reforçou a ligação histórica entre o desenvolvimento do Rio de Janeiro e a energia elétrica.
Com 121 anos de atuação, a companhia anunciou que acaba de renovar sua concessão e dará início ao maior ciclo de investimentos de sua trajetória. Serão R$ 10 bilhões investidos nos próximos cinco anos para modernização da infraestrutura e ampliação da capacidade de atendimento da rede elétrica.
Para Giovanna, o Rio reúne condições favoráveis para receber grandes empreendimentos de tecnologia e data centers, combinando matriz energética limpa, abundância de água e capacidade de distribuição. “O Rio tem todas as características necessárias para se tornar um dos grandes polos tecnológicos das Américas”, salientou.
Integração metropolitana e conectividade digital
Representando o Instituto Rio Metrópole, Franquis Dias Nepomuceno destacou a importância da integração dos 22 municípios que compõem a Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
Ele apresentou iniciativas voltadas à expansão da infraestrutura digital e à eficiência energética do setor público. Entre elas, incluiu a implantação de uma infovia digital capaz de conectar equipamentos públicos estaduais e municipais.
Outro projeto em andamento busca reduzir em até 30% os gastos com energia dos órgãos públicos da região metropolitana por meio de uma gestão mais eficiente do consumo. Para o diretor, energia, conectividade e inovação precisam caminhar juntas para impulsionar o desenvolvimento regional e atrair novos investimentos.
Petrobras aposta em novas energias e descarbonização
A diretora de Engenharia, Tecnologia e Inovação da Petrobras, Renata Baruzzi, ressaltou os cinco pilares do Energy Summit. São eles: descarbonização, digitalização, descentralização, democratização e diversificação, todos alinhados à estratégia da companhia.
Ela apresentou o conceito de “adição energética”, defendido pela Petrobras. Ele prevê ampliar a oferta de energia sem abandonar fontes já existentes, garantindo acesso à energia e desenvolvimento econômico. “A estatal prevê investir mais de US$ 13 bilhões em descarbonização e novas energias nos próximos cinco anos. Outros US$ 4 bilhões serão destinados exclusivamente à pesquisa e desenvolvimento tecnológico.”
Entre as iniciativas destacadas estão: produção do Diesel R5, com 5% de conteúdo renovável; desenvolvimento do bunker R24 para navegação, com 24% de conteúdo renovável; implantação da primeira planta de biorefino 100% renovável da companhia; produção de combustível sustentável de aviação (SAF); e investimentos em tecnologias nucleares avançadas e novas soluções de baixo carbono.
“A tecnologia será fundamental para tornar as novas energias acessíveis para toda a população”, disse.
Três dias para discutir o futuro da energia
Ao longo dos próximos dias, o Energy Summit reunirá líderes globais para debater temas como transição energética, descarbonização, inteligência artificial, inovação industrial, hidrogênio verde, combustíveis sustentáveis, eficiência energética, mobilidade, infraestrutura digital e desenvolvimento de tecnologias emergentes.
A presença de representantes do MIT, Petrobras, Light, instituições públicas, investidores e empresas de tecnologia reforça a importância estratégica do encontro em um momento decisivo para a economia global, marcado pela busca por soluções sustentáveis e pela aceleração dos investimentos em inovação.
Mais do que um fórum de debates, o Energy Summit 2026 se consolida como uma plataforma internacional de negócios, networking e construção de soluções capazes de influenciar o futuro da energia e da sustentabilidade no Brasil e no mundo.
Energy Summit 2026
Data: de 3 a 5 de junho de 2026
Local: Axia Marina da Glória – Av. Infante Dom Henrique, s/n – Glória – Rio de Janeiro/RJ
Texto e fotos: Acácio Morais





