A transição energética brasileira envolve desafios que vão além da expansão das fontes renováveis. Em um país marcado por desigualdades regionais e diferentes níveis de acesso à infraestrutura, o avanço rumo a uma economia de baixo carbono passa pela combinação de soluções capazes de conciliar descarbonização, segurança energética e inclusão social.
É nesse contexto que o Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) ganhará espaço nos debates do Energy Summit 2026, no Rio de Janeiro. O evento acontece entre os dias 23 e 25 de junho, na AXIA Marina da Glória. patrocinador master da arena Diálogos da Transição, promovida pela Agência Eixos durante o evento, o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás) oferece uma série de discussões sobre o papel do combustível na matriz energética brasileira.
“A transição energética será construída a partir de múltiplas soluções. Em um país como o Brasil, discutir apenas descarbonização não basta. É preciso falar também de acesso à energia, segurança de abastecimento e desenvolvimento econômico. O Diálogos da Transição cria uma oportunidade para discutir caminhos para uma transição compatível com a realidade brasileira”, afirma Sergio Bandeira de Mello, presidente do Sindigás.
A programação começa na terça-feira (23/06) com o painel “Gás do Povo e Pobreza Energética”, que reunirá Renato Dutra e Dario de Paula, do Ministério de Minas e Energia (MME), a secretária Analúcia Faggion Alonso, do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), e o deputado federal Hugo Leal.
O debate abordará os desafios da pobreza energética no Brasil e os caminhos para ampliar o acesso das famílias de baixa renda a fontes modernas e seguras de energia. Atualmente, segundo dados do Balanço Energético Nacional – BEN 2025, 23% das famílias brasileiras ainda utilizam lenha ou carvão para cozinhar. A exposição contínua à fumaça produzida pela queima desses materiais está associada ao aumento de doenças respiratórias, especialmente entre mulheres, crianças e idosos.
A expansão do programa Gás do Povo também estará na pauta das discussões. A iniciativa prevê ampliar o acesso ao GLP para até 15,5 milhões de famílias de baixa renda. Ele demandará investimentos relevantes na ampliação do parque de botijões e da infraestrutura logística necessária para atender à nova demanda.
Na quarta-feira (24/06), o foco será a previsibilidade jurídica e os desafios para atração de investimentos. O painel “A importância da estabilidade jurídico-regulatória para promover evolução energética” reunirá Felipe Oppel, da Prospectiva; Claudia Viegas, da Ecoa e Alexandre Aragão, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
A conversa abordará como a estabilidade regulatória influencia a expansão da infraestrutura energética, o desenvolvimento tecnológico e a atração de investimentos de longo prazo.
Já na quinta-feira (25/06), o painel “O GLP na Transição Energética: desenvolvimento sustentável, crescimento econômico e novas aplicações” reunirá Luiz Pellegrini, da Copa Energia; Alexandre Baldotto, da Supergasbras; Gustavo Gomes, da Ultragaz; e Heloísa Borges, da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). O debate abordará a contribuição do gás de botijão para uma transição energética compatível com as características brasileiras, incluindo sua complementaridade com outras fontes de energia e seu potencial para apoiar atividades produtivas em diferentes segmentos da economia.
Entre os temas previstos está a ampliação dos usos do GLP em aplicações industriais, comerciais, agrícolas e de geração de energia. Para o setor, a expansão dessas aplicações pode acelerar a substituição de fontes mais intensivas em carbono. Além de ampliar a competitividade e aproveitar uma infraestrutura já presente em todo o país.
A agenda também inclui discussões sobre combustíveis renováveis compatíveis com a infraestrutura existente, como o BioGLP. Ele é visto pelo setor como uma alternativa para apoiar a redução gradual das emissões sem comprometer a segurança do abastecimento.
Os debates promovidos pelo Sindigás durante o Energy Summit reúnem representantes do governo, especialistas e empresas. Eles discutirão como o GLP pode contribuir para os desafios da transição energética brasileira, combinando segurança energética, inclusão social e redução de emissões.
A importância do GLP na transição energética
Amplamente conhecido como gás de cozinha, o GLP está presente em cerca de 91% dos lares brasileiros e chega a 100% dos municípios do país. Além do uso residencial, o GLP é utilizado por indústrias, comércios, propriedades rurais e empresas de serviços, desempenhando papel relevante para o abastecimento energético nacional.
O mercado brasileiro movimenta cerca de 7,6 milhões de toneladas de produto por ano. O setor conta com uma infraestrutura formada por 19 distribuidoras autorizadas, cerca de 60 mil revendas e 189 bases de distribuição espalhadas pelo país. Essa infraestrutura é o que garante que o GLP atenda a 100% dos municípios brasileiros e chegue a 91% das famílias. Tem uma eficiência logística de aproximadamente 13 botijões de 13kg entregues por segundo
No contexto da transição energética, o GLP se apresenta como uma alternativa capaz de reduzir emissões e poluentes locais de forma imediata em diferentes segmentos da economia. Ele é uma energia mais limpa que outros combustíveis como lenha, carvão e diesel. Além disso, contribui para reduzir impactos ambientais associados ao uso de combustíveis rudimentares e melhora as condições de saúde da população exposta à fumaça tóxica gerada por outros energéticos rudimentares.
Para Bandeira de Mello, o Brasil tem condições de avançar na descarbonização sem abrir mão da segurança energética e da inclusão social. “O GLP já faz parte da realidade de milhões de brasileiros. Ele pode contribuir para essa transição ao lado de outras soluções energéticas, respeitando as particularidades de cada região e de cada consumidor”, finaliza.





