Um edifício pode consumir menos energia e, ainda assim, oferecer uma iluminação inadequada a quem o utiliza. Para gestores, projetistas e responsáveis pela operação, essa reflexão sobre a qualidade da luz amplia a avaliação dos projetos: além da economia, é preciso considerar como as pessoas enxergam, trabalham e vivenciam os ambientes.
Essa perspectiva orienta os temas da programação de 15 de setembro do SIMPOLED 2026, o Simpósio Internacional de Iluminação. Realizado pela Associação Brasileira da Indústria da Iluminação (ABILUX), o encontro acontece de 15 a 18 de setembro, durante a Expolux, no Expo Center Norte, em São Paulo. A organização e a curadoria são do engenheiro José Roberto Muratori, também diretor-presidente do Conselho Editorial da Revista Prédio Inteligente.
A agenda de abertura trouxe Roberto Saheli, presidente da ABILUX, nas boas-vindas. Na sequência, reuniu; Juliana Iwashita, com qualidade da iluminação e experiência do usuário; Flávio Berman, com coerência cromática e Marcos Castilha, com a relação entre lighting design e arquitetura.
O recorte corporativo apareceu no tema de Eduardo Straub, dedicado à iluminação ambiental, circadiana e natural em escritórios. Wilson Sallouti figurou com a aplicação de fibra ótica no Memorial de Brumadinho. Para o encerramento, a programação reservou um debate sobre iluminação integrativa e saúde humana, mediado por Jader Almeida, com Ruy Soares, Vicente Scopacasa e Sallouti.
Ao longo do dia, especialistas destacaram que o conceito de qualidade da iluminação vem se ampliando. Ele vem conferindo maior relevância às certificações como referência para projetos e soluções. Também ressaltaram a evolução das normas técnicas, que buscam acompanhar os avanços tecnológicos e as novas exigências do mercado.
Para gestores e projetistas, essa transformação reforça a necessidade de critérios mais completos de especificação e contratação. Potência, preço e quantidade de luminárias ajudam a compor o orçamento, mas precisam ser avaliados em conjunto com conforto visual, adequação às tarefas, integração com a arquitetura e condições de manutenção.
Nos projetos de modernização, essa abordagem começa pelo diagnóstico dos ambientes existentes. Identificar situações de desconforto, ouvir os ocupantes e compreender os horários e as formas de utilização dos espaços ajuda a direcionar o investimento. A escolha da tecnologia deve responder a essas necessidades e considerar a capacidade da equipe de operar e manter os sistemas.
O acompanhamento após a implantação também merece atenção. Medir o consumo permite verificar o desempenho energético, enquanto avaliar as condições de uso e a percepção dos ocupantes complementa a análise dos resultados. Dessa forma, o sucesso de uma intervenção passa a ser observado tanto na operação quanto na experiência cotidiana das pessoas.
Os temas da abertura do SIMPOLED reforçam uma perspectiva relevante para os edifícios inteligentes: a qualidade da iluminação deve integrar as decisões desde a concepção do projeto, com objetivos claros e resultados verificáveis ao longo de sua utilização.





