A expansão acelerada da inteligência artificial, da computação em nuvem e dos serviços digitais está ampliando a demanda por data centers mais eficientes energeticamente, inclusive no Brasil. No mercado nacional, esse avanço já se traduz em novos marcos. Segundo a Associação Brasileira de Data Center (ABDC), o país alcançou 1 GW de capacidade de TI comissionada no primeiro trimestre de 2026, reforçando sua posição como principal hub de data centers da América Latina (Fonte: ABDC). Esse crescimento, no entanto, traz um desafio direto para projetistas, operadores e fornecedores de infraestrutura digital: como garantir eficiência energética e confiabilidade operacional em ambientes cada vez mais densos e intensivos em processamento?
Para a Armacell Brasil, esse cenário reforça o papel estratégico do isolamento térmico adequado, especialmente em sistemas de água gelada, incluindo tubulações, dutos e unidades de tratamento de ar. “O isolamento deixou de ser apenas uma etapa operacional e passou a ser um fator crítico de confiabilidade. Ele contribui para preservar a integridade térmica dos sistemas de climatização, reduzir perdas energéticas e controlar a condensação em ambientes de missão crítica”, afirma Adriana Fujii, Technical Application Specialist da Armacell Brasil.
A preocupação acompanha uma tendência global. De acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA), os data centers consumiram cerca de 415 TWh de eletricidade em 2024, o equivalente a aproximadamente 1,5% do consumo mundial. Até 2030, esse volume pode mais que dobrar, chegando a cerca de 945 TWh, impulsionado principalmente pela demanda por IA e computação acelerada. (Fonte: IEA)
Nesse contexto, os sistemas de resfriamento assumem um papel ainda mais crítico na operação. Segundo levantamento técnico da Armacell, a energia necessária para resfriar a grande quantidade de equipamentos eletrônicos pode representar até 40% dos custos operacionais de um data center. Soluções como a linha ArmaFlex, de espuma elastomérica de células fechadas, atuam na redução das perdas térmicas ao longo do sistema de refrigeração, pois evitam o ganho de calor externo, reduzindo o esforço dos equipamentos de cooling.
Além da eficiência energética, o isolamento térmico tem impacto direto na continuidade operacional. Equipamentos de tecnologia da informação são sensíveis à umidade, e a formação de condensação pode gerar corrosão, danos e falhas. “Em data centers, a confiabilidade depende portanto de uma cadeia de proteção. Não basta resfriar: é preciso garantir estabilidade térmica, qualidade do ar, redução de riscos e desempenho de longo prazo”, completa Fujii.
Cooling sob pressão
A pressão por eficiência também se reflete no avanço de novas arquiteturas de resfriamento. Tecnologias como liquid cooling, free cooling e refrigeração por imersão vêm ganhando espaço em instalações de alta densidade, especialmente diante da demanda por IA e machine learning. Ainda assim, independentemente do modelo adotado, o isolamento térmico da infraestrutura é fundamental para preservar o desempenho dos sistemas, proteger superfícies abaixo da temperatura ambiente contra condensação e evitar desperdícios.
A busca por melhores índices de PUE, sigla para Power Usage Effectiveness, também reforça esse cuidado. O indicador mede a relação entre a energia total consumida pela instalação e a energia utilizada pelos equipamentos de TI. Quanto mais próximo de 1,0, mais eficiente é a operação. Em ambientes hyperscale, pequenas melhorias nesse índice podem representar economias significativas de energia, redução de emissões e maior previsibilidade operacional.
O tema ganha relevância adicional em mercados em expansão. Relatório da CBRE aponta que São Paulo segue como o maior mercado de data centers da América Latina, com 493 MW de inventário no primeiro trimestre de 2025. No mesmo período, os quatro principais mercados latino-americanos registraram crescimento de 13,7% no inventário em relação ao ano anterior, movimento que evidencia portanto a pressão por novas infraestruturas e por maior eficiência no uso de energia. (Fonte: CBRE)
No Brasil, a Armacell tem acompanhado projetos de data centers por meio de suporte técnico à especificação, seleção de espessuras e definição de sistemas completos de isolamento. A companhia tem participado de obras e projetos ligados a grandes operadores do setor, como Ascenty, Scala, Equinix e ODATA, nas regiões Sudeste, Sul e Nordeste.
Na avaliação de Mansur Haddad, Managing Director da Armacell América do Sul, a expansão brasileira deve vir acompanhada de uma visão mais integrada entre energia, climatização, operação e ESG. “A demanda por energia vai aumentar nos próximos anos. Por isso, é fundamental garantir que ela seja preservada ao máximo, desde a produção até o uso final. Em data centers, eficiência energética não é apenas uma meta ambiental, mas um fator de competitividade, segurança e continuidade do negócio”, afirma.
Recentemente, a Armacell também se associou à ABDC, movimento que reforça sua atuação estratégica no ecossistema nacional de data centers e aproxima assim a companhia das discussões sobre eficiência energética, inovação e sustentabilidade do setor.





