O avanço da geração solar distribuída e o crescimento do mercado condominial brasileiro abrem espaço para uma nova frente de consolidação no setor e traz assim novas oportunidades em soluções de energia solar em condomínios. A avaliação é da Redirection International, empresa especializada em assessoria de fusões e aquisições (M&A), que realizou recentemente um mapeamento do segmento de energia solar no Brasil.
“O setor reúne os principais atributos buscados por investidores estratégicos e financeiros, com um mercado ainda bastante fragmentado, formado por centenas de integradores regionais, empresas de instalação, plataformas de financiamento e prestadores de serviços especializados. À medida que o segmento amadurece, cresce portanto a necessidade de ganho de escala comercial, operacional e financeira, favorecendo movimentos de consolidação”, analisa o economista Adam Patterson, sócio da Redirection International.
Segundo dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), o país já soma mais de 68,6 gigawatts (GW) de potência operacional instalada, sendo que o segmento residencial responde pela metade de toda energia solar gerada no país. Aliado a isso, o Brasil possui mais de 327 mil condomínios, que reúnem cerca de 39 milhões de moradores, de acordo com o Censo Condominial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), formando um mercado com elevado potencial para soluções de eficiência energética.
A redução dos custos dos equipamentos, a ampliação das linhas de financiamento e o aumento das tarifas de energia elétrica também aceleraram dessa forma a adoção de sistemas fotovoltaicos em empreendimentos residenciais, com previsibilidade dos custos operacionais e valorização dos imóveis. Entre os fatores que reforçam o interesse dos investidores estão o crescimento da receita recorrente proveniente de contratos de manutenção e monitoramento, a possibilidade de expansão geográfica por meio da aquisição de empresas regionais e a crescente profissionalização da gestão condominial.
“A expectativa é que grandes integradores nacionais, empresas de infraestrutura, plataformas de geração distribuída, fundos de Private Equity e gestores de ativos ampliem sua presença nesse mercado ao longo dos próximos anos”, destaca Adam Patterson.
Um dos exemplos desse movimento é a Grid Tie Solar, empresa especializada em soluções de energia solar para condomínios residenciais e comerciais. Com mais de cinco anos de atuação e cerca de dois mil projetos fotovoltaicos instalados, a companhia consolidou uma posição de destaque no mercado fluminense e agora busca acelerar sua expansão nacional. A estratégia contempla a captação de recursos para ampliar a presença geográfica da empresa e fortalecer sua atuação em novos mercados, como São Paulo e Brasília, por exemplo.
“Nosso modelo de negócios elimina uma das principais barreiras de entrada do segmento, que é o investimento inicial. Por meio de soluções estruturadas com financiamento e modelos de implantação de CAPEX zero, os condomínios podem portanto adotar sistemas fotovoltaicos sem necessidade de desembolso imediato, tornando o acesso à tecnologia mais viável para síndicos e administradoras”, explica Rogério Gomes Moreira, CEO da Grid Tie Solar. “Também estamos ampliando a nossa atuação em infraestrutura para mobilidade elétrica, com soluções para carregamento de veículos elétricos em condomínios residenciais, sem custo de instalação, pagando apenas o consumo de energia”, complementa.
A expectativa da companhia é manter um ritmo médio de crescimento de aproximadamente 35% ao ano, apoiado na combinação entre expansão orgânica e consolidação de empresas complementares. Para Adam Patterson, empresas que reúnem capacidade técnica, soluções financeiras estruturadas e atuação recorrente em manutenção e monitoramento tendem a ocupar posição privilegiada no processo de consolidação do setor. “Em um mercado impulsionado tanto pela transição energética quanto pela digitalização da gestão condominial, a tendência é de que as operações de fusões e aquisições se tornem cada vez mais frequentes, consolidando plataformas capazes de atender um mercado em constante evolução”, ressalta.





