A América Latina acelera sua posição como hub de data centers no mundo, impulsionada por sua matriz energética renovável, disponibilidade de recursos e proximidade com mercados digitais em crescimento. No entanto, a região também enfrenta desafios significativos, como a exposição a riscos climáticos e a necessidade de garantir a resiliência dessas infraestruturas críticas.
Na Arcadis, empresa de engenharia, design e gerenciamento de projetos, há mais de 57 anos no Brasil e mais de 138 no mundo, Isabel Rando, Head of Technology Sector Latam da empresa, explica que “a combinação de energias limpas e marcos regulatórios previsíveis torna a região um destino competitivo para o investimento em infraestrutura digital”. No entanto, transformar essa oportunidade em projetos concretos depende de resolver desafios técnicos e de gestão, como a disponibilidade e gestão de energia, a eficiência térmica e o uso responsável da água.
No Brasil, onde os fenômenos climáticos extremos são cada vez mais frequentes, a resiliência dos data centers é um tema crítico. “Os novos data centers estão sendo projetados com uma lógica muito diferente de uma década atrás; hoje, a resiliência climática e a consideração territorial são a base dos projetos”, afirma Rando. Isso inclui a implementação de sistemas antissísmicos, bacias de contenção e sistemas de drenagem específicos para reduzir os impactos de eventuais inundações.
O planejamento integral é fundamental para garantir a viabilidade desses projetos. “Integrar multidisciplinas e multicritérios desde a concepção do projeto evita incompatibilidades técnicas e correções custosas”, explica Rando. Isso inclui a avaliação de riscos climáticos e a incorporação de soluções sustentáveis, como refrigeração de baixo consumo hídrico e o uso de energia renovável.
Um segundo elemento-chave é o diálogo antecipado, transparente e colaborativo com autoridades e comunidades. “Esse trabalho inicial previne conflitos e alinha expectativas desde o primeiro momento”, acrescenta Rando. Contar com uma base técnica e ambiental sólida reduz questionamentos, retrabalho e o tempo de avaliação.
Em sustentabilidade, as tendências globais apontam para data centers mais eficientes. “Na Arcadis, promovemos soluções como refrigeração de baixo consumo hídrico e uso de energia renovável”, comenta. Um exemplo é o projeto SINES DC, em Portugal, que opera com energia 100% limpa e água do mar para resfriamento. Essas tecnologias reduzem a pegada ecológica e aumentam a resiliência frente a fenômenos climáticos extremos.
Para consolidar a liderança regional, são necessárias metas mensuráveis. “Planejar desde o início para minimizar o impacto ambiental é fundamental. A eficiência energética e as energias renováveis são pilares indispensáveis”, afirma Rando. A América Latina tem potencial para adotar práticas inovadoras de resfriamento e construção alinhadas a padrões internacionais como o LEED.
Com essa combinação de energia limpa, planejamento integral e gestão de riscos, a América Latina reúne as condições para se consolidar como referência em infraestrutura crítica para o futuro digital do mundo.





