Conectividade ganha papel estratégico para reduzir prejuízos bilionários no setor elétrico
A conectividade está no centro das discussões sobre eficiência e redução de perdas no setor de energia

Conectividade ganha papel estratégico para reduzir prejuízos bilionários no setor elétrico

O avanço das fontes renováveis e o aumento da complexidade operacional do sistema elétrico brasileiro colocaram a conectividade no centro das discussões sobre eficiência e redução de perdas no setor. Em 2025, os cortes de geração de energia renovável, conhecidos como curtailment, atingiram cerca de 20% de todo o potencial de geração solar e eólica do país, com prejuízos projetados em aproximadamente R$ 6,5 bilhões, segundo dados divulgados pela CNN. Em meio a esse cenário, especialistas apontam assim que operações críticas dependem cada vez mais de comunicação de dados em tempo real para garantir previsibilidade, estabilidade e capacidade de resposta do sistema elétrico.

Para Cláudio Calonge, CEO da Briskcom, empresa especializada em conectividade para operações críticas, o setor elétrico vive uma mudança estrutural na forma como a tecnologia impacta a gestão operacional. Segundo o executivo, a conectividade deixou de ser apenas suporte técnico e passou a ocupar portanto um papel decisivo para garantir visibilidade das operações, integração entre agentes e redução de riscos em eventos críticos. “Hoje, a disponibilidade da comunicação de dados influencia diretamente a capacidade de atuação do operador do sistema. Quando existe visibilidade em tempo real da operação, as decisões se tornam mais rápidas, coordenadas e eficientes, reduzindo impactos financeiros e operacionais”, afirma.

A discussão ganhou ainda mais relevância após a entrada em operação do novo Sistema Especial de Proteção do Operador Nacional do Sistema Elétrico. Desde janeiro de 2026, o mecanismo vem contribuindo para reduzir os cortes de geração em parques eólicos e solares, como ocorreu nas operações da Voltalia no Rio Grande do Norte, segundo informações publicadas pela MegaWhat. A medida reforça a importância de infraestrutura tecnológica robusta para garantir maior estabilidade ao crescimento das fontes renováveis no Brasil.

Na avaliação de especialistas do setor, o avanço da geração distribuída, aliado à expansão das fontes renováveis, aumenta significativamente a necessidade de operações mais conectadas, inteligentes e monitoradas em tempo real. Isso porque a falta de comunicação eficiente entre operadores, geradores e agentes do sistema pode ampliar riscos operacionais, gerar indisponibilidades e dificultar respostas rápidas em momentos críticos.

Cláudio Calonge destaca que a tendência é de crescimento da demanda por soluções de conectividade voltadas especificamente para ambientes críticos, principalmente em setores onde qualquer falha operacional pode gerar impactos financeiros relevantes. “A expansão das renováveis trouxe novos desafios para o sistema elétrico brasileiro. Nesse contexto, a conectividade passa a ser um elemento estratégico para garantir estabilidade operacional, eficiência energética e capacidade de reação diante de oscilações e eventos inesperados”, conclui.

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