Empresas que transformarem a gestão do custo de energia em prioridade estratégica podem reduzir entre 15% e 30% do custo total da conta de luz já a partir de 2026. A avaliação é de Raphael Ruffato, fundador e CEO da Lead Energy, startup que oferece soluções em energia renovável para empresas interessadas em reduzir a tarifa por meio de um sistema próprio de diagnóstico e gestão da conta de luz. O especialista defende que energia deixou de ser apenas despesa operacional e passou a representar uma variável crítica de competitividade.
O setor elétrico brasileiro atravessa um ciclo de transformações regulatórias, econômicas e estruturais que, segundo Ruffato, exigem uma mudança imediata de postura das lideranças empresariais. Para o executivo, a economia de até 30% não acontece por acaso, ela é resultado de estratégia, previsibilidade e leitura correta do mercado. “O varejo já opera com margens apertadas e alto custo operacional. No setor elétrico, vemos um mercado ainda cheio de sombras e incertezas. A conta de luz muitas vezes é a vilã da inflação, e as expectativas para 2026 indicam que o cenário pode piorar”, afirma.
De acordo com o especialista, há cinco razões estruturais que explicam por que o custo energético deve se tornar uma prioridade estratégica imediata nas empresas.
Explosão dos encargos setoriais
Os encargos devem subir 15,4% em relação a 2025, pressionando diretamente as tarifas finais. Mais da metade da conta de luz é composta por tarifas de uso, que remuneram distribuidoras e incluem valores da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), responsável por subsidiar usinas renováveis, sistemas isolados e tarifa social. “A combinação de mais encargos e mais custos sistêmicos torna o preço da energia estruturalmente mais caro”, explica Ruffato.
Abertura acelerada do mercado livre
O avanço do Ambiente de Contratação Livre (ACL) muda a lógica de consumo energético no país. Atualmente, 43% de toda a energia consumida no Brasil já está no mercado livre, ante cerca de 20% há uma década. Para o especialista, esse movimento reforça que energia deixou de ser custo fixo previsível: “Ela passa a ser uma variável estratégica, com impacto direto na margem operacional”, explica.
Volatilidade estrutural dos preços
Mudanças climáticas, aumento do despacho térmico, crescimento de subsídios cruzados e expansão acelerada das renováveis intermitentes criaram, segundo o executivo, um novo ciclo de instabilidade estrutural. “O risco hidrológico gera bandeiras tarifárias e amplia a imprevisibilidade. A energia deixou de ter comportamento estável”, afirma.
Pressões sistêmicas: geração, perdas e indexadores
Os contratos firmados entre distribuidoras e usinas possuem indexadores atrelados a uma cesta de indicadores de inflação. Além disso, o sistema carrega perdas técnicas e não técnicas, como furtos de energia, que podem chegar a 7% do consumo de uma distribuidora. “A soma de encargos, intermitência, risco hidrológico e custos de geração cria uma estrutura mais cara e mais volátil para as empresas”, explica.
Falta de gestão energética nas empresas
Apesar do novo cenário, muitas companhias ainda tratam energia apenas como conta a pagar. “O brasileiro ainda tem dificuldade de ler e interpretar a conta de luz. Muitos pagam mensalmente uma fatura sem saber o que ela significa na prática”, afirma. Segundo ele, os principais erros estão na ausência de planejamento energético de médio prazo e no desconhecimento regulatório, especialmente entre pequenas e médias empresas.





