Poucas viagens de trabalho ajudam a reorganizar a forma como enxergamos o futuro de um setor. Minha ida mais recente à Índia foi uma delas. Vivi, na prática, uma imersão em um ecossistema que está tratando a transformação do setor elétrico com um senso de escala, urgência e integração que merece muita atenção do Brasil.
Em Nova Délhi, durante a 12a. India Smart Utility Week 2026, tive a oportunidade de acompanhar discussões sobre medição inteligente, digitalização das redes e ativos, redução de perdas, armazenamento de energia, recursos energéticos distribuídos, plataformas peer-to-peer, inteligência artificial e novos modelos de negócio. Mais importante do que a variedade dos temas foi perceber como eles estão articulados entre si.
Na Índia, a conversa sobre energia inteligente não parece confinada a nichos técnicos. Ela está conectada à agenda de modernização das utilities, à expansão do acesso, à melhoria de eficiência, à redução de perdas e à criação de novas camadas inovadoras de serviços. Há uma percepção clara de que a distribuição e a indústria de utilities como um todo está mudando e de que dados, conectividade e interoperabilidade passaram a ser componentes centrais dessa mudança.
Também foi muito valioso perceber a imensa oportunidade de aprendizado conjunto e o interesse mutuo e genuíno em aprofundar a cooperação entre os dois países. Nosso 3º Workshop Brasil-Índia de Energia Inteligente mostrou que existe espaço real para aproximação entre empresas, entidades setoriais, reguladores, operadores e desenvolvedores de tecnologia. Não se trata apenas de diplomacia ou networking. Trata-se de identificar experiências que demonstram conceitos e aplicações que possam ser adaptadas, testadas e convertidas em valor concreto para os dois lados.
Saio dessa viagem convencido de que há lições importantes em implantação de smart metering em escala, em redução de perdas, em uso de conectividade para redes inteligentes, em plataformas digitais de energia e em novas formas de pensar o papel da distribuição.
Nos próximos dias, vou compartilhar aqui algumas reflexões mais específicas sobre essa experiência. Minha intenção é transformar o que vi e ouvi em uma conversa útil para o debate brasileiro. Especialmente em um momento em que o setor elétrico do país discute abertura de mercado, digitalização, concessões e novos modelos para as distribuidoras.
Volto com a sensação estar diante de uma janela importante. Sabendo conectar melhor os debates, os atores e as oportunidades, poderemos transformar essa aproximação em projetos concretos. E também em uma agenda mais ousada para o setor elétrico brasileiro.
Nossa colaboração com a India e outros paises do mundo terá continuidade no 18o. Smart Grid Fórum Latin América, que será realizado em São Paulo, nos dias 6 e 7 de outubro de 2026.





