Com a maturidade do mercado solar no Brasil e a expansão acelerada da geração distribuída, a discussão deixou de ser apenas “ter sol suficiente” e passou a ser “como gerar mais com menos luz solar”. Segundo Rodrigo Bourscheidt, CEO da Energy+, rede de tecnologia em energias renováveis, a combinação de quatro estratégias é essencial para viabilizar assim projetos em regiões de baixa irradiação.
- Use painéis mais eficientes. Existem diferentes categorias de painéis solares, e alguns conseguem aproveitar melhor a luz mesmo quando o sol é mais fraco. As tecnologias mais novas, como TOPCon e HJT, produzem mais energia na mesma área do que os painéis tradicionais do tipo PERC, que usam uma camada na parte traseira da célula para reduzir perdas de luz. “Em regiões com baixa incidência solar, essa eficiência extra faz muita diferença para garantir dessa forma bom desempenho e retorno financeiro”, explica Bourscheidt.
- Aposte em painéis que geram dos dois lados. Painéis bifaciais conseguem captar luz tanto pela frente quanto pelo verso. “Quando instalados sobre superfícies claras ou refletivas, como pisos pintados, telhados claros ou estruturas elevadas, eles recebem portanto luz indireta extra e aumentam a produção. Essa solução é especialmente útil em locais onde o sol é fraco ou muda bastante ao longo do dia”, orienta o executivo
- Utilize microinversores e otimizadores. Em telhados com sombra parcial, diferentes inclinações ou obstáculos, um painel pode acabar prejudicando assim a produção dos outros. Segundo Rodrigo, “microinversores e otimizadores evitam isso ao permitir que cada painel trabalhe de forma independente. Na prática, eles reduzem dessa forma perdas e fazem o sistema render mais, mesmo em locais com condições menos ideais”.
- Combine energia solar com baterias e gestão inteligente. Armazenar energia em baterias e usar sistemas de controle que decidam automaticamente quando consumir ou guardar energia ajuda a aproveitar melhor o que foi gerado. “Em regiões de sol fraco ou variável, essa combinação garante mais autonomia, protege contra quedas de energia e permite usar eletricidade solar nos horários mais caros da conta”, diz Bourscheidt.
“Não existe uma solução única e sim um projeto bem feito”, afirma Rodrigo. “Em locais com baixa incidência solar, a diferença está nos detalhes: escolher a tecnologia de painel mais adequada, usar acompanhamento solar quando fizer sentido, assim como aproveitar os ganhos de albedo, que são os reflexos da luz em superfícies claras, como pisos ou telhados que devolvem luminosidade para o painel e integrar armazenamento. É assim que transformamos pouco sol em mais eficiência”, conclui o CEO da Energy+.





