O outono de 2026 começou no dia 20 de março com um cenário favorável para o sistema elétrico brasileiro, combinando níveis mais elevados de afluência em relação aos últimos anos e condições climáticas que tendem a beneficiar a geração renovável. Segundo análise da Nottus, empresa de inteligência de dados e consultoria meteorológica para negócios, a expectativa é de redução mais lenta das afluências e dos níveis de reservatórios ao longo da estação, em meio à transição para um padrão climático mais próximo da normalidade.
Neste ano, o período também é caracterizado pela saída do fenômeno La Niña e avanço para um cenário de neutralidade climática. A tendência é de diminuição gradual das chuvas no Sudeste e no Centro-Oeste, enquanto os volumes permanecem elevados no Norte e no Nordeste e aumentam no Sul ao longo do trimestre.
“A chuva diminui de forma gradual na região central do país, enquanto ainda será volumosa no Norte, especialmente no início da estação. No Sul, a precipitação tende a aumentar, o que é um comportamento típico para essa época do ano”, diz Alexandre Nascimento, sócio-diretor e meteorologista da Nottus.
Menor pressão sobre a demanda e avanço das renováveis
Com o avanço das frentes frias e a redução progressiva das temperaturas no Centro-Sul, a expectativa é de alívio na demanda por energia elétrica associada ao calor. “As frentes frias avançam com mais frequência, o que reduz o risco de carga elevada por temperaturas muito altas. Ao mesmo tempo, a tendência de tempo mais firme na porção central do país favorece a geração solar, enquanto o aumento das chuvas no Sul contribui para a geração eólica”, explica Nascimento.
A perspectiva, de modo geral, é de chuvas próximas da normalidade ao longo do outono, com redução gradual na região central e volumes ainda significativos no Norte e no Nordeste, um pouco acima da média em abril e levemente abaixo nos meses seguintes.
Sistema inicia o outono com maior afluência que nos dois últimos anos
Do ponto de vista hidrológico, o Sistema Interligado Nacional (SIN) terá um começo de outono com níveis de Energia Natural Afluente (ENA) superiores aos registrados no mesmo período dos dois anos anteriores.
No final da primeira quinzena de março, o sistema registra cerca de 108 GWmed de ENA, acima dos cerca de 73 GWmed observados em 2025 e 80 GWmed em 2024, segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). “A expectativa é de redução gradual das afluências ao longo da estação, mas em um ritmo mais lento do que o observado no ano passado, o que contribui para uma condição mais estável do sistema”, pontua o sócio-diretor e meteorologista da Nottus.
Reservatórios devem cair mais lentamente
Apesar de níveis de armazenamento inferiores aos registrados no mesmo período de 2025 em alguns subsistemas, especialistas preveem uma redução mais moderada ao longo da estação. Os reservatórios do SIN encerraram a primeira quinzena de março em 64,8%, ante 69,4% em 2025 e 68% em 2024. No subsistema Sudeste/Centro-Oeste, o nível está em 61,3%, enquanto o Sul apresenta 34,7%, o Nordeste 83% e o Norte 91%.
“Os reservatórios devem apresentar queda ao longo do outono, mas de forma mais lenta em relação ao ano passado, influenciados por condições climáticas mais favoráveis, tanto do ponto de vista de temperatura quanto de precipitação”, conclui Nascimento.





