Mesmo com chuvas intensas, energia deve continuar com preços altos para o consumidor final até abril

Mesmo com chuvas intensas, energia deve continuar com preços altos para o consumidor final até abril

Mesmo com o alto volume de chuvas que vem caindo em muitas regiões do Brasil, principalmente no Sudeste, a conta de luz dos brasileiros vai permanecer no patamar mais alto até pelo menos abril.

No subsistema Sudeste / Centro-Oeste – que abastece as duas regiões e os Estados de Rondônia e Acre e concentra 70% da capacidade total dos reservatórios do país – o mês de fevereiro registrou 58,2% de seu volume total, o melhor percentual dos últimos 10 anos.

E na comparação com o mesmo mês de 2021, quando o subsistema estava com apenas 29,6% da capacidade, a melhora também é significativa. Mas ainda sem refletir em descontos para o consumidor cativo.

Segundo João Sanches, CEO da Trinity Energia, empresa que comercializa energia no Mercado Livre, ainda que o início do período úmido, que vai de novembro até abril, esteja sendo satisfatório, os mananciais foram fortemente castigados nos últimos anos. Principalmente, ano passado. O Brasil vivenciou, no ano anterior, a maior crise de escassez hídrica dos últimos 90 anos.

“Ainda não há como prever como será o cenário hídrico em 2022, mesmo com base em dados promissores. Os preços da energia para curto prazo já começaram a cair, mas para o consumidor cativo, ela deve seguir no patamar mais caro até abril. Tempo necessário para que os principais reservatórios do País se recuperem”, afirma o executivo.

Por conta da crise hídrica, ano passado o Brasil precisou comprar energia elétrica do exterior e acionar as usinas termelétricas que funcionam em solo brasileiro. Para financiar os gastos extras, a Câmara de Regras Excepcionais para Gestão Hidroenergética (CREG), criou uma nova bandeira tarifária de energia elétrica: a bandeira de escassez hídrica, que adiciona R$ 14,20 a cada 100 kWh consumidos. “Essa tarifa já foi confirmada pelo órgão e vale para os meses de março e abril”, diz Sanches.

Por enquanto o impacto orçamentário para o consumidor de energia livre, que possui, no mínimo, 1.000 kW de demanda contratada, já está em queda. Neste caso a negociação é direta com as empresas do segmento e com parâmetros melhores de acordos firmados para cada um em específico.

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